Pai: Luis Prando
Mãe: D. Amália Consalter Prando
Data de nascimento: 1/11/1900

Data de falecimento: 11/05/1980
Naturalidade: Anápolis (GO)


Biografia

Conheci Irmã Maria Luísa, em 1937, quando estudei como interna, no Colégio Sagrado Coração de Jesus, em Campinas. Jovem professa, cheia de saúde, muito trabalhadeira, administrava uma cozinha para mais de duzentas pessoas; comunidade das Religiosas, noviciado, juvenato, cento e tantas internas, alguns funcionários, além de pessoas sem família, que as irmãs acolhiam, num gesto de caridade fraterna. Lembro-me do nome de algumas: D. Josefina, Lídia, Isolina, Nhana. Não raro a Comunidade ainda acolhia sacerdotes e Bispos, com muito carinho e deferência. Dormiam, tomavam as refeições e celebravam a Santa Missa.

Lembro-me do seu jeito bem humorado, debruçada no janelão da cozinha, satisfeita após ter servido os travessões de alimentos bem preparados, para alimentar toda aquela gente. De Campinas foi transferida para Itu, onde ela administrou, por algum tempo, o seminário dos Frades Carmelitas. Veio depois para Catanduva, como supervisora da creche beneficiente “Sinharinha Neto”. IR. Letícia e Irmã Cristina Ajudaram-na a cuidar de criancinhas pobres de zero a seis anos. Quando as calvarianas deixaram a administração da creche, Irmã Luísa veio trabalhar no Colegião, onde exerceu, por vários anos o cargo de ecônoma. Ao chegar aqui, em1966, Irmã Luísa já mais idosa, diabética e maltratada por um reumatismo que lhe deformaram os dedos, era sempre a religiosa orante e trabalhadeira, cuidava da contabilidade, fazia crochê, mesmo com os dedinhos tortos e, na falta de cantina, sentada no patamar da escada que dá para o recreio, vendia balas, bolachas e bombons para os aluninhos do infantil e do curso primário.

Quando cheguei, como coordenadora da comunidade, sem nenhuma experiência no ramo, encontrei esse colegião tão bonito e, na gaveta da escrivaninha, um talão de cheques. Pensei “com certeza tem dinheiro no Banco”. Sem perguntar à ecônoma, fiz um cheque, o primeiro da minha vida, no valor de cinqüenta mil réis, para pagar as Irmãs Paulinas hospedadas em nossa casa, uma coleção de discos. O cheque era frio, não pode ser descontado. Não havia saldo no banco. Aí fui procurar a ecônoma para saber o que fazer. Ela só tinha em mãos cem mil réis, destinados a pagar uma encomenda de calçados feita pela superiora anterior. – Ah! Ir. Luísa, você vai ter que depositar esse dinheiro no Banco, pra eu pagar minha dívida! E como era já o início das aulas, logo o caixa se refez com o pagamento dos alunos, e ela pôde saldar a dívida com a sapataria. Ir. Luísa continuava sua luta com as dores reumáticas e a diabetes, até que não pode mais andar.

Ficava na cama ou se locomovia em sua cadeira de rodas. Ir. Dala e Ir. Neusa, o quem ela apelidara de Zezinho, eram noviças e cuidavam dela com muito carinho. Às vezes Ir. Dala precisava exigir que ela colaborasse nos cuidados com ela: – Vamos, Ir. Luísa: um… dois… e ela, largando o corpo, dizia:”não tem três”. Era preciso começar tudo de novo… Certa vez eu lhe perguntei: – Isa, a Dala é brava pra você? E ela: – Não! Ela é enérgica! Era o dia 11 de maio de 1980, dia das mães. Nós fomos almoçar todas juntas, no Ortega Josué. A Babá ficava fazendo companhia para Ir. Luísa. A Ir Helena e Ir. Celina se apressaram em vir substituir a Babá. Irmã Celina entrou no quarto da Irmã Luísa e viu que ela não estava bem. Saiu depressa para trazer-lhe uma xícara de café. Ir. Luísa já não conseguiria engolir. Ir. Celina nos chamou pelo telefone.

Viemos todas, as Irmãs, o Padre Xavier e os meninos que moravam com ele. Pe. Xavier deu-lhe a absolvição em artigo de morte e nós a vestimos para sua última jornada. Pe. Xavier celebrou missa de corpo presente pelo seu descanso e no dia seguinte, nós a acompanhamos, até o cemitério N. Senhora do Carmo, de coração sofrido e lágrimas nos olhos, cantando: “Com minha mãe estarei Na santa glória um dia, Junto à virgem Maria No céu triunfarei” No céu, no céu, com minha mãe estarei… Obrigada, Ir. Luísa, pelo se testemunho de fidelidade à sua consagração, pelo seu exemplo de generosidade a serviço de seus irmãos e irmãs, pela sua presença fraterna entre nós.

Unidas a você, Nosso canto de Ação de Graças a Deus nosso Pai.

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