Pai: Leandro Cervato
Mãe: Constantina Chiesa Cervato
Data de nascimento: 15/1/1930

Data de falecimento: 05/02/2000
Naturalidade: Severínia (SP)


 

Biografia

Irmã Teresa era irmã caçula de Ir. Diva. Seguiu passos de sua irmã mais velha. Eram temperamentos inteiramente diferentes. Apenas dois terços as formavam parecidas e admiráveis: – Creio de que nenhuma de nós ouviu jamais, das duas irmãs, uma critica negativa a respeito de alguém! – Jamais uma queixa ou reclamação saíram de seus lábios, tal o poder de aguentação de ambas! As irmãs que conviveram com elas são unânimes em confirmar este meu testemunho. Por onde andou Ir. Teresa durante os 42 anos de sua consagração a Deus? Percorreu os caminhos mais diversos da maneira mais alegre, mais generosa, mais prestativa, mais simples que possamos imaginar. Convivi com ela na casa Provincial das Calvarianas, em São Paulo, durante 5 anos.

Era responsável pela cozinha que administrava com competência e bom- humor. Sempre presente às atividades comunitárias e aos momentos fortes de oração. E ainda achava tempo para animar nossas recreações, formando a dupla: -nhá Nica e nhá Chica – Ir. São Luis e Ir. Teresa, com representação humorísticas criadas por elas, e que nos faziam dar boas risadas, em companhia do bom Pe. Alexandre S. V. nosso capelão, que participava de nossos recreios, festivos. Quando vim para Catanduva, em 1966, a Ir. Teresa integrava a comunidade do Lar Ortega – Josué.Cozinhava para mais de 80 meninas órfãs de zero a 14 anos. Que trabalhão! Raramente estavam contentes com o cardápio preparado, com tanto cuidado pela Ir. Teresa, sempre incansável, sempre generosa, sempre silenciosa frente às dificuldades… Peraltas como eram as meninas, quase cada noite inventavam uma arte. Certa madrugada, elas simularam um assalto à cozinha e à dispensa; não havia porta fechada à chave que lhes resistisse. Entraram, reviraram tudo, comeram o que lhes apeticia e deixaram a janela da cozinha aberta, para sugerir a entrada do “ladrão’’. De manhã, Ir. Teresa se surpreendeu com a desordem. Tudo fora do lugar! Não foi difícil identificar quem havia feito a arte…. Ir. Teresa se aborreceu… mas nenhuma queixa, nenhuma acusação às meninas.

Quando da minha vinda para Catanduva, era este trabalho de Ir. Teresa, até que resolvemos, por diversos motivos, não renovar nosso convênio com a Promoção Social do Estado, e, o orfanato, que já não produzia frutos esperados, foi substituído por outras atividades assistências e promocionais de serviço a nossos irmãos. Irmã Teresa veio para o colégio, onde, além de sua presença tão amiga e tão orante, cuidava da alimentação de todas nós. Por ocasião de nossa passagem do “Calvário’’ para “Ressurreição’’, foi ela que preparou o “lanche reforçado’’ , solicitado por D. Antonio Cheiuche, nosso visitador . A gente andava meio pobre… e o “lanche reforçado’’ não foi além de café, leite, pão, manteiga e talvez, queijo. Ao nos reunir com o visitador, além de outras recomendações, havia esta: “ que a gente não se comunicasse mais com as calvarianas’’. Ir. Diva, morava no Sul. Ir. Teresa perguntou a D. Antonio se ela podia escrever para a irmã dela, colocando-a a par da situação. E D. Antonio: – “Claro! Ela é sua irmã! Você tem todo direito de se comunicar com ela’’. Irmã Diva e Ir. Umbelina foram das primeiras a se juntar a nós; logo depois de Ir. Angelina.

Ir. Teresa, ao vir para o convento, prometeu a Dona Constantina, sua mãe, que caso ela precisasse, em algum momento de sua vida, de ajuda de sua filha caçula, ela pediria à congregação, licença para ir cuidar da mãe, pelo tempo que fosse necessário. Durante 5 anos, Ir. Teresa, com generosidade que a concretizou, cuidou da mãe doente, acrescentando asesses cuidados, seu atendimento ao irmão Elói, solteiro, às sobrinhas e irmãs dela que vieram morar em casa da mãe. Foi solícita e feliz em poder servir, que nós a encontramos, ao ir fazer visitas a ela e a sua mãe. Grande Irmã Teresa!… Quando dona Constantina faleceu, ela voltou imediatamente para se convento, com a mesma simplicidade, com a mesma bondade. Ela adimirava muito a Ir. Zilah. De vez em quando, ela me dizia: “Madre, quando for possível,eu ainda quero trabalhar com a Irmã Zilah… Afinal foi “possível’’: Ir. Teresa pôde, feliz da vida, participar da comunidade da Tijuca e ajudar a Ir. Zilah por alguns anos. Foi lá que Ir. Umbelina, Ir. Carolina e eu a encontramos, por ocasião da cirurgia que deixou Ir. Zilah doente durante 8 anos, conseqüência de erro medico. Unimos nossos sofrimentos ao dela e, juntas, choramos, procuramos assumir as responsabilidades de Ir. Zilah, na comunidade e nos dois colégios “Ressurreição’’. O da Tijuca com mais de 25 anos e o da Recreio dos Bandeirantes, que só contava com 8 dias de funcionamento. Tempos difíceis e dolorosos demais para todas nós!…

A congregação resolveu transferir o Noviciado para o Rio, para junto de Ir. Umbelina, mestra de noviças. Mudamo-nos ,então, para nossos apartamentos, na Rua Hugo Alvim, no Recreio dos Bandeirantes: Ir. Umbelina, Ir. Teresa, as noviças, postulantes e eu. Após servir nossa refeição, Ir. Teresa ia para o colégio, levando a marmita para dois aluninhos semi- internos: Sargon e sua irmanzinha, que diziam à Ir. Teresa: a gente não quer esse arroz. A senhora só faz com manteiga, para nós!? E a Ir. Teresa fazia o arroz com manteiga. Sargon, já no curso médio, não esquece esse seu carinho. Em seguida, Ir. Teresa ficava no portão de entrada, recebendo pais, professores e alunos, sempre com seu sorriso e seu jeitinho acolhedor.

Do fundo do coração, agradeço a Nosso Senhor aquele ano e meio que, dia após dia, estive perto de Ir. Teresa. Uma verdadeira filha da “Ressurreição’’: sempre atenta ao bem estar de cada uma de nós! – Sempre feliz da vida em poder servir com gratidão a alegria ! – Sempre fraternal, sempre orante, sempre silenciosa, nos momentos de sofrimento! Seu testemunho de consagrada deixa no meu coração um gostinho bom ao chamá-la: Minha Filha! Uma forunculose invadiu seu organismo, ainda forte e sadio! Quis vir para Catanduva, para ficar perto de Ir. Diva, que já andava bem doente e de sua família, além de achar mais fácil cuidar da saúde. Os médicos não conseguiram combater suas bactérias que foram invadindo seu organismo, atacando inclusive seu coração e garganta.

Era mês de janeiro e fiquei em Catanduva, indo todos os dias ao Hospital São Domingos fazer-lhe companhia. Delicadeza do bom Deus para comigo, que lhe queria muito bem! A última vez que lhe falei, ela já estava sem voz. Ao despedir-me, voltei-me para ela: – Ir. Teresa, até logo! Você fica bem aí, em companhia de Nosso Senhor? Posso ir sossegada? Sem conseguir falar, ela sorriu e ergueu o polegar, num gesto de me dizer: Tudo bem!!! Como sempre, não é, Teresa? Naquela noite levaram-na para UTI… Fui vê-la várias vezes ainda, mas sedada, ela não falou mais comigo. No dia 5 de janeiro de 200o, ela foi juntar à comunidade da Ressurreição do Céu, para, com suas Irmãs, cantar eternamente os louvores a Deus Pai, Filho e Espírito Santo. E nós ficamos aqui, na esperança do reencontro na casa do Pai, onde tanta gente querida reza e aguarda nossa chegada! Ir. Teresa, a você nossa saudade, nossa gratidão, nosso infinito bem- querer!

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